| América do Sul em Bicicleta - 2. Peru |
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| Por Joana Oliveira | ||||||
| Segunda, 01 Dezembro 2008 13:53 | ||||||
Pedalando pelos desertos do Pacifico e as montanhas dos Andes
![]() A passagem da fronteira do Equador para o Peru, em Macará, decorreu sem incidentes de maior e segui rumo a Sul na companhia do Nuno, meu companheiro e cicloturista Português, e o Jeff, cicloturista Canadiano, atravessando os 504 quilómetros de deserto (o de Sechura) que se interpunham entre nós e Trujillo, cidade onde existe uma casa que acolhe ciclistas – a casa do Lucho, onde passaríamos umas semanas. Perto de Trujillo existem as interessantes ruínas pré-Incas Chimu, de Chan-Chan que são as maiores ruínas de adobe do mundo, e a praia de Huanchaco, popular com os surfistas. Das terras desérticas do Norte voltei de novo à cordilheira Andina, agora na companhia do Nuno, passando pelo que é conhecido como o "Canyon del Pato", numa estrada de terra batida que me levaria dos 80 aos 3500 metros acima do nível do mar . Esculpida nas gargantas escarpadas do rio Santa, este caminho é o cenário que qualquer bttista sonha percorrer: pouco tráfego, estradas em pedra, e paisagem de tirar a respiração. A sua passagem faz-se também através de 35 túneis, alguns dos quais com vários metros de longa escuridão.
A chegada a Huaraz (depois de 333 quilómetros), cidade feia, porta de entrada da cordilheira Branca, foi cinzenta e chuvosa. Ali acabava a primeira etapa ciclística no Peru já que tinha que estar em Ayacucho dentro de três dias para fazer trabalho voluntário e estava mais de 1000 quilómetros de distancia. Meti-me num autocarro que me levou sinuosamente até Lima e noutro que me levou de igual modo a Ayacucho. Depois de um mês de trabalho voluntário num orfanato, agarrei de novo na minha bicicleta, desta vez rumo a Cusco. Foram 18 dias de pura dureza, sobe e desce tortuoso, estradas poeirentas. Pedalei um total 593 quilómetros com um desnível acumulado de 10,500 metros. Na etapa que me levou de Abancay ao Passe de Abra Sorllaca subi 1500 metros ate aos 4000, em 35 quilómetros, num dia. O contacto humano também nem sempre foi fácil, aliás, durante a travessia deste país a paisagem humana assemelhava-se ao relevo das suas cordilheiras – com grandes picos e grandes partes baixas.
Cusco é provavelmente a cidade mais visitada da América do Sul, mas não deixa de ter um certo encanto, com todo o seu passado Inca e colonial; é também a base para visitar as ruínas de Machu Pichu e o Vale Sagrado dos Incas. Machu Pichu foi um dos pontos altos do Peru, a sua localização, no meio da selva e das montanhas, faz deste local um dos mais bonitos que alguma vez visitei. De Cusco pedalei rumo a Sul para as margens do grande lago sagrado – o Titicaca, o lago navegável mais alto do mundo a 3600 metros sobre o nível do mar. Daí seguiria para a Bolívia, a historia da próxima aventura!
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