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Entrevista com... Marco Sousa PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Terça, 24 Fevereiro 2009 10:00
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Vencedor da Taça de Portugal de XCM

O Homem das Maratonas

 

 

 

 

Faz das maratonas um hobbie que lhe dá muitas alegrias. Quem já o viu correr poderá não acreditar que o faz sem grandes ambições. Marco Sousa já ganhou muito e gostava de ganhar muito mais, mas pelo desporto e não pela competição. Não tem grandes projectos de futuro, nem grandes aspirações de pedalar em provas internacionais, mas uma coisa tem a certeza o gosto pelo BTT está para ficar e mais maratonas virão para Marco Sousa triunfar. 

  


 

Quem é o Marco Sousa?
Sou uma pessoa sincera, honesta, gosto de me divertir com os meus amigos e levo o desporto mais numa vertente de divertimento do que por obrigação. 

Quando surgiram as bicicletas na tua vida?
O meu irmão mais velho já praticava eu achei interessante começar a praticar, em cadete fiz algumas corridas, comecei a gostar da modalidade. 

Começaste no Cross Country mas agora só fazes Maratonas porquê?
A vertente maratona não é tão monótono, temos que estar sujeitos a um percurso de sete quilómetros sempre à volta do mesmo e acho que em termos de participantes tem mais adeptos do que no cross. 

Já experimentaste o Downhill?
Não nunca. 

Não tens curiosidade?
Não.

Como consegues ter aquele andamento nas provas, uma vez que também trabalhas?
Digamos que o andamento vai-se adquirindo quando se treina a longo prazo, não é treinar um ano e deixar outro, tem que se ser mais regular. 

Uma vez que trabalhas no meio é mais fácil conciliares com o treino, ou por vezes não consegues treinar?

Dá para treinar, como tenho um horário um pouco flexível entro às dez da manhã, dá sempre para fazer um treino antes de ir para o trabalho. E se tiver necessidade de fazer um pouco mais também tenho flexibilidade. 

De Fevereiro a Novembro tens provas da Taça de Portugal e outros eventos quase todos os fins-de-semana, não tens menos vontade de ir a alguns?

Não, porque são sempre colegas diferentes que aparecem e percursos diferentes, há uma zona que podemos gostar mais do que outra, mas nunca é a mesma zona. Lá está se fosse uma prova de cross seria mais monótono, são sempre as mesmas voltas. Nas maratonas há sempre uma zona mais agradável, outra menos mas nunca se passa pelo mesmo sitio há sempre uma vontade de reconhecer zonas novas.  

Tens cuidados especiais com a alimentação?
Não, tento fazer a alimentação normal. 

Em 2008 travaste uma luta com o Rui Lavarinhas, como foi para ti estar até à última para saber a classificação final, em algum momento pensaste que não ia dar?

Não, porque logo desde início tentei sempre estar o mais regular possível e isso criou alguns pontos de diferença, houve uma altura que foi manter tentando sempre nunca perder grandes pontos, não ganhando uma prova ou outra, mas tentando sempre manter no pódio e acabaria sempre por não perder muitos pontos. O que eu queria era vencer a taça. 

 

Quantas já venceste?
Maratonas ganhei uma, mas ganhei três ou quatro de XC. No ano passado fiquei em segundo em maratonas, o Daniel Marques ganhou. 

Na prova do campeonato nacional não chegaste nos três primeiros estava muita gente à espera que vestisses a camisola, o que é que se passou?
É uma corrida que ou se está bem ou não se está, foi uma corrida que ao longo do percurso comecei logo a ver que não era uma prova que me favorecesse muito, os percursos muito rolando, muito estradão acabaria por não ter muita parte técnica e aí quem tiver mais bem preparado em termos de resistência acabaria por vencer. Por isso fui mantendo o ritmo para terminar a corrida. 

Na última prova em Vila de Rei  ias acompanhado pelo José Silva quem vos via a passar fica com a sensação que iam a passear, não por irem devagar porque andavam rápido, mas pela razão de irem a conversar. Vocês iam mesmo sem se esforçar nada?
Íamos com um ritmo que se aguentava bem, mantivemos um andamento normal, ele ficar à minha frente ou não na classificação, para mim era igual e como um bom colega, dou-me bastante bem, resolvemos ir um com o outro, também porque vimos que já tínhamos alguma distância dos outros classificados foi só manter o ritmo. 

Qual o balanço do ano passado?
Foi um ano porreiro, acho que tentei ser o mais regular possível, não faço aqueles picos treino para estar mais preparado para uma ou outra prova, tento ter mais ou menos o mesmo ritmo.

Na tua opinião qual a razão para haver muito mais participantes nos passeios de 80 km do que as provas de Cross?
Agora também é uma modalidade nova que apareceu e por isso há muitos mais  querer experimentar, no cross é uma corrida que é sempre à morte, ou seja, é sempre ao máximo, na maratona vamos a um ritmo muito mais próprio e no cross tem que se dar sempre o máximo.  

Portugal é competitivo?
Em Portugal quem quiser levar isto mais a sério digamos que o andamento em Portugal não se pode comparar com os atletas estrangeiros, quer no que toca a apoios aos atletas, mas no geral acho que não. 

Qual a diferença entre as maratonas da taça e as maratonas chamadas “pirata “?
As da taça têm muitas partes que não são boas para os atletas promoção, aqueles que não são federados, porque exigem um pouco mais, esses atletas vão lá num ano, mas depois no seguinte já não e acabam por dizer aos colegas para não irem. Essas maratonas pirata são maratonas que se fazem melhor, a dureza vai do ritmo que imprimirem, agora tudo depende da forma como se encarar a maratona, mas por serem mais leves as maratonas pirata têm mais adeptos. 

O que é que se pode melhorar nas provas, taça e outras?

Acho que às vezes é mais aquela base da organização, marcação dos percursos e na parte dos abastecimentos. 

Para esta época a fasquia está mais elevada?
Não, porque eu faço isto como um divertimento, não faço isto a sério como muitos pensam, não estou a exigir que vou ganhar sempre, tenho que me sentir bem se ganhar melhor. Já lá vá o tempo que ia para a corrida e tinha que ganhar. 

Qual o conselho que darias para um atleta que começa agora?

O conselho é ir treinando regularmente, tentar participar nas corridas, inicialmente nas mais fáceis e ser persistente, mesmo quando a corrida corre menos bem, tem que se treinar sempre. Se for muito mais progressivo conseguirá ficar no topo mais tempo. 

E o futuro?
Não tenho perspectivas em termos de competição, o que quero é divertir-me, não tenho objectivos alarmantes quero divertir-me nas provas que há por aí, mais do que andar iludido com algumas provas. 

Qual é a tua bicicleta de sonho?
Eu pessoalmente corro com a KTM e gosto, é uma bicicleta que me sinto confortável, mas não tenho nenhuma bicicleta de sonho. 

Falta cumprir alguma coisa?
Acho que não. Faço o desporto que faço porque gosto, sem obrigações. 

Qual maratona que até hoje te deu mais gozo?
Uma maratona que gostei muito foi a do Gerês, foi um percurso bonito, mas bastante duro, mas em termos paisagísticos quem quiser desfrutar e gostar é dura em termos de quilometragem, mas em termos paisagísticos é muito agradável. 

A selecção convidou-te para ires ao mundial, mas recusaste. Porquê?

Devia-se apostar desde logo, desde início, naqueles cadetes que se destacassem para se poder fazer uma formação como deve ser e não em cima da competição, acho que não é a melhor forma. E acho que tem que haver uma motivação ainda maior além dessas provas que têm uma exigência maior. Todos os atletas gostariam de ir a estas provas, mas para mim não porque acho que o nosso nível é muito baixo e a formação que é feita pela selecção devia ser muito maior para levar atletas ao campeonato do mundo e não ir logo para o campeonato do mundo, se calhar fazer outras provas internacionais para aumentar o nível de competitividade, para não ir a um campeonato do mundo e ficar nos últimos lugares. Para mim ir à selecção não é um objectivo que tenha, levo mais isto como uma modalidade para estar com os meus colegas. Já tive lá alguns anos, mas agora não quero. 
 

 

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